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18 de Agosto de 2026 - 

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Aprender não tem idade: estagiários 60+ encontram no TJRJ um novo capítulo profissional

                                                              Estagiários 60+ buscam novas oportunidades no Tribunal de Justiça do Rio    No filme Um Senhor Estagiário, Robert De Niro interpreta o viúvo Ben Whittaker, de 70 anos, que, cansado da monotonia da aposentadoria, busca no estágio uma forma de se reinventar e, com sua experiência e sabedoria, conquista a admiração dos colegas de trabalho. Se na ficção a história mostra que nunca é tarde para recomeçar, na “vida real”, a arte também encontra seus reflexos. Nesta terça-feira, 18 de agosto, data em que é comemorado o Dia do Estagiário, estudantes 60+ que estagiam no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) mostram que nunca é tarde para aprender, enfrentar novos desafios e descobrir novas possibilidades profissionais. Estágio costuma ser associado ao início de uma trajetória profissional, mas para Ana Elisabete Spalluto Tenrreiro, de 68 anos, representa a oportunidade de recomeçar e abrir caminhos para uma nova carreira. Cursando o 9º ano do Curso de Direito, Bete – como gosta de ser chamada – é bailarina profissional e tem como primeira formação a Educação Física, mas abandonou a carreira para se dedicar a criação dos dois filhos e ao andamento da casa. “Durante 15 anos trabalhei como professora de dança e coordenadora de academia. Mas depois dos dois filhos, não vi perspectiva para continuar trabalhando porque eu não tinha com quem deixar as crianças. Os filhos foram crescendo e comecei a ter mais tempo livre para voltar a estudar. Meu pai era advogado e foi o primeiro que me incentivou, isso há mais de 20 anos”, explicou. Na época, Bete estudava para concursos públicos, o que a fez conhecer mais as disciplinas do Direito, porém teve que parar mais uma vez para cuidar da mãe diagnosticada com Alzheimer. Em 2022, decidiu que, enfim, era a hora de voltar. “Pensei: Agora é a minha vez, vou estudar Direito. Precisava de uma nova profissão, queria melhorar a minha aposentadoria. Tenho sede de aprender, de me lançar em outros horizontes”, revelou.                                             Bailarina profissional e formada em Educação Física, Ana Elisabete está no 9º ano do curso de Direito     O estágio no TJRJ começou em abril de 2025 no cartório da 17ª Vara de Fazenda Pública da Capital. Hoje ela atua no gabinete da mesma vara. Sobre como a experiência vem agregando à sua trajetória profissional, Bete é categórica. “Acho muito interessante acompanhar as fases do processo. Aprendo muito. Mergulho nos processos porque quero avaliar o motivo de tal citação. Sempre busco procurar a lei, o artigo que foi citado. Isso tudo estimula a gente a ir pegando mais informações e ganhando mais conhecimento”, contou. De corretor de imóveis ao Direito Imobiliário Corretor de imóveis há muitos anos, Antonio Jorge Amorim Vianna, de 66 anos, viu no curso de Direito uma oportunidade de ampliar a sua atuação, podendo assinar documentos, fazer inventário, usucapião, adjudicação compulsória, coisas que, segundo ele, precisam de advogado. “Pelos anos de experiência no ramo imobiliário, aprendi muito sobre documentação imobiliária. Fazia os documentos, mas não podia assinar. Sempre precisava de um advogado para assinar os documentos para mim. Foi aí que resolvi cursar Direito e seguir no Direito Imobiliário”, contou o estudante que está no 8º período da faculdade.                                                           Antonio Jorge faz sucesso na 7ª Vara Cível e reúne os elogios que recebe no balcão    O estágio no cartório da 7ª Vara Cível da Comarca da Capital surgiu com um convite de um colega de faculdade servidor do TJRJ. Inicialmente, Antonio trabalhou por seis meses como voluntário até ser efetivado como estagiário em março de 2025. O trabalho, que começou no atendimento no balcão, foi se ampliando ao longo do tempo. “Hoje já faço citação, intimação. Faço muito intimação para perito, mas não deixo de atender no balcão. Adoro atender as idosas. Elas entram aqui e já sei quem são. Eu tenho elogios pra caramba. Você quer ver?”, pergunta Antonio, que retira da gaveta de sua mesa alguns bilhetes que recebeu. Estagiária com 72 anos está na sua terceira graduação Aos 72 anos, Maria Helena Maia Monteiro mostra que o aprendizado pode ser contínuo em qualquer idade. Estagiária do Judiciário fluminense há 1 ano e 3 meses, a estudante está na sua terceira graduação. Primeiro se formou em Engenharia Elétrica, aos 60 anos concluiu a graduação de Ciências Ambientais e atualmente é estudante do 5º período de Direito. “Estudei oito anos para concurso, fiz provas em vários estados, mas chegou um momento em que eu já não tinha mais idade para o concurso por já estar próximo da compulsória, que é com 75 anos, e aí a minha vida perdeu o sentido.  Como eu conhecia muito de Direito por causa dos concursos, que eram sobre tribunais, decidi iniciar a faculdade. O curso deu um sentido a minha vida”, explicou a estagiária da Central de Processamento da Corregedoria do Juizado Especial de Fazenda Pública (Ceproc).                                                                               Aos 72 anos, Maria Helena está na sua terceira gradução    Para ela, a união entre a sabedoria da maturidade e a energia da juventude enriquece o ambiente profissional. “Aprendo muito com eles. E quero ser um exemplo para eles também. A gente está envelhecendo todo dia, desde que nasce, né? Então, não é porque você envelheceu que você tem que parar”, pontuou. Sobre os planos para o futuro, Maria Helena diz que está “vivendo o hoje”. No momento, quer se dedicar ainda mais ao estágio. “Eu chego em sala de aula e percebo que aprendo coisas que eu já estou fazendo aqui. A gente aqui faz um pouquinho de cada coisa, mas trabalha muito e isso é muito bom”. IA/MG Fotos: Rafael Oliveira e Renan Ribeiro/TJRJ  
18/08/2026 (00:00)
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