Amor & Justiça: Centro Cultural inicia série com debates sobre filosofia e linguagem
Bianca Ramoneda, Jana Viscardi, Renato Noguera e Andréa Pacha debateram sobre amor e justiça no CCPJ
O que você chama de amor? Foi a partir desse questionamento que o Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) deu início aos encontros da série "Amor & Justiça", nesta segunda-feira, 17 de agosto. Os debates seguem na agenda do CCPJ até o dia 25 de agosto e reunirão diferentes perspectivas sobre os dois temas, com opiniões de intelectuais, artistas e profissionais da área jurídica.
A série é coordenada pela desembargadora Andréa Pachá e pela pesquisadora Bianca Ramoneda. A ideia de discutir amor e justiça teve inspiração na obra da escritora Bell Hooks e nasceu com o objetivo de encontrar novos pontos de vista para os dois conceitos.
Para a desembargadora, o projeto nasce de uma preocupação com a desumanização das relações e o desgaste da linguagem no cotidiano. "Nesse contexto de desumanização e desgaste das palavras, a justiça e o amor precisam ser ressignificados, pensados multidisciplinarmente, para buscarmos caminhos para a prevalência do humano na justiça", afirmou.
A desembargadora Andréa Pacha refletiu sobre a atuação do Judiciário sob a perspectiva do amor
No primeiro encontro, o tema foi debatido pela visão da filosofia e da linguagem, com o doutor em Filosofia Renato Noguera e a linguista Jana Viscardi como convidados. O cruzamento dos dois olhares trouxe reflexões sobre afeto e sobre como discursos de violência se propagam.
Noguera considera que o amor é um afeto que precisa ser distribuído para uma sociedade em que todos caibam. "O amor é um afeto fundamental e a gente tem evidências de que pessoas que têm menos estado de amorosidade tendem a resolver os conflitos usando a violência como recurso. Quem tem um investimento amoroso, que é amado e vive num ambiente com mais amorosidade, tem mais consciência emocional para lidar com a vida sem colocá-la em risco", destacou.
Roberto Noguera conceituou o amor como um afeto fundamental
Jana, por outro lado, destacou preocupações com o uso das redes sociais para a reprodução de discursos que vão na contramão do conceito de amor, favorecendo a violência como conteúdo de maior engajamento. "Muitas vezes, a violência é o caminho mais direto e interessante, porque é o que leva o conteúdo a seguir. Temos visto que conteúdos violentos, hoje em dia, têm um caminho muito mais longo", destacou a linguista.
Para Jana Viscardi, os discursos de violência têm encontrado caminhos mais longos nas redes sociais
O próximo encontro da série acontece nesta quarta-feira, 19 de agosto, com o tema "Quem ama não mata" e participação da escritora Eliana Cruz, do juiz Rubens Casara e do advogado criminalista Antonio Pedro Melchior. A expectativa, para a desembargadora Andréa Pachá, é aproximar os dois campos e colocar a justiça sob a perspectiva do amor.
"Nós vemos, com a linguagem das redes sociais, o recrudescimento da vingança, do justiçamento, dos cancelamentos, dos julgamentos apressados. Discutir isso na perspectiva do amor também é muito relevante, para pensar numa atuação do Judiciário que seja mais acolhedora, mais amorosa. Amor como um conceito em movimento, amor como um conceito político, amor como um conceito que faça sentido para todos esses saberes", completou.
PB/ SF
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ