Caso Henry Borel: julgamento entra no quinto dia com depoimentos técnicos sobre perícia
O primeiro a ser ouvido no quinto dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros da Costa e Silva, nesta sexta-feira, 29 de maio, acusados da morte do menino Henry Borel, de quatro anos, foi o médico-legista Luiz Carlos Leal Prestes.
Durante aproximadamente quatro horas, questões técnicas foram debatidas entre acusação e defesa, sobre se a vítima já teria chegado morta ao hospital Barra D’Or ou se as manobras de ressuscitação durante duas horas, de acordo com o processo, teriam provocado ferimentos que levaram o menino a óbito.
O perito, que atualmente é assessor-técnico do Ministério Público, afirmou que os ferimentos no corpo do menino são incompatíveis com acidente doméstico, já que ele tinha 14 lesões provocadas por ações contundentes, inclusive na cabeça.
“Essa versão do acidente doméstico é totalmente fantasiosa. As 14 lesões encontradas foram feitas antes da morte. Fora essas, outras três que vimos no laudo cadavérico são compatíveis com as manobras cardíacas e ele já estava sem vida. Pela hemorragia que teve, o menino sofreu muito antes de morrer e foi um sofrimento longo”, disse o perito no II Tribunal do Júri.
Monique passa mal e é atendida
No depoimento de Luiz Carlos Leal Prestes foram exibidas fotos dos ferimentos do corpo do menino, onde ele explicava cada uma das lesões e o que cada uma delas provoca no corpo. Logo que as imagens apareceram, Monique Medeiros tapou os olhos. Dois minutos depois, ela se sente mal e é atendida pela equipe médica do TJRJ. O julgamento não foi interrompido, ela foi medicada e dispensada da sessão desta sexta-feira pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Depois da acusação, foi a vez da defesa fazer seus questionamentos ao médico-legista. A tese apresentada pelos advogados de Jairinho é a de que a laceração hepática, que provocou hemorragia, de acordo com o laudo, teria sido provocada pelas sucessivas manobras de ressuscitação. O médico legista discordou dessa tese.
Os advogados de Jairinho questionaram o grande número de laudos elaborados após a morte do menino e perguntaram se o legista sabia sobre o desaparecimento de raio-x que apontaria um pneumotórax, desparecimento de anotações do legista que examinou o corpo.
PF/MG